sexta-feira, 25 de dezembro de 2015

Agora está claro porque favelas aqui no DF são chamadas pelos playboys do Plano Piloto de "invasões": a cidade não foi feita para nós, o povo brasileiro, logo somos "invasores" de algo que nunca nos pertenceu:
"Neste sentido deve-se impedir a enquistação de favelas tanto na periferia urbana quanto na rural."

Lúcio Costa, Relatório do Plano Piloto de Brasília.
"O mito da democracia racial apoiava-se, e ainda se apóia, na generalização de casos de ascensão social do mulato; este, nas palavras de Carl Degler, encontrara uma "saída de emergência", o que significa dizer que se desenvolveu um reconhecimento social do mestiço no Brasil. Todavia, a assimilação e reconhecimento social do mestiço ocorria à custa da depreciação dos negros. O que está por trás deste mecanismo brasileiro de ascensão social é a concordância da pessoa negra em negar sua ancestralidade africana, posto que está socialmente carregada de significado negativo. Ironicamente, dentro deste contexto da "saída de emergência", os casos de ascensão social de pessoas de cor não enriqueciam o grupo social dos negros, uma vez que as pessoas de cor que ascendiam eram encaradas como "negros de alma branca" (Fernandes, 1965)."
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0101-546X2002000200002
Como? Já agora não sabe porque é que o professor no Brasil tem o mesmo status de duas mãos cheias de nada? Não sabe porque é que ele é insultado e chamado de ptralha-comunista-esquerdopata no Facebook quando cai no "erro" de corrigir alguma diarreia mental tipo "direitos humanos para humanos direitos" que por acaso pipocou em sua timeline, e é insultado por aqueles mesmos que foram lá cantar que ", não quero copa não, quero dinheiro pra saúde e educação" nos protestos de 2013? Não sabe porque é que aquele PM do rio virou heroi nacional por ter quebrado o cassetete nas costas de um professor ("foi mal fessor")? Não sabe porque é que a Veja e sua escumalha de leitores exultaram de alegria quando 200 professores no Paraná foram parar no hospital? Ora, não seja tolo: vá numa escola pública qualquer e veja que a imensa maioria dos professores são mulheres. Qual é o tratamento que uma profissão tradicionalmente feminina terá num país que bate no peito e se orgulhar de matar 15 mulheres por dia por qualquer coisa?
"LEI CONTRA O CRISTIANISMO
Datada do dia da Salvação: primeiro dia do ano Um (em 30 de Setembro de 1888, pelo falso calendário).
Guerra de morte contra o vício: o vício é o cristianismo.
Artigo Primeiro – Qualquer espécie de antinatureza é vício. O tipo de homem mais vicioso é o padre: ele ensina a antinatureza. Contra o padre não há razões: há cadeia.
Artigo Segundo – Qualquer tipo de colaboração com um ofício divino é um atentado contra a moral pública. Seremos mais duros com protestantes que com católicos, e mais duros com os protestantes liberais que com os ortodoxos. Quanto mais próximo você está da ciência, maior o crime de ser cristão. Conseqüentemente, o maior dos criminosos é filósofo.
Artigo Terceiro – O local amaldiçoado onde o cristianismo chocou seus ovos de basilisco deve ser demolido e transformado no lugar mais infame da Terra, constituirá motivo de pavor para a posteridade. Lá devem ser criadas cobras venenosas.
Artigo Quarto – Pregar a castidade é uma incitação pública à antinatureza. Qualquer desprezo à vida sexual, qualquer tentativa de maculá-la através do conceito de “impureza” é o maior pecado contra o Espírito Santo da Vida.
Artigo Quinto – Comer na mesma mesa que um padre é proibido: quem o fizer será excomungado da sociedade honesta. O padre é o nosso chandala – ele será proscrito, lhe deixaremos morrer de fome, jogá-lo-emos em qualquer espécie de deserto.
Artigo Sexto – A história “sagrada” será chamada pelo nome que merece: história maldita das palavras “Deus”, “salvador”, “redentor”, “santo” serão usadas como insultos, como alcunhas para criminosos.
Artigo Sétimo – O resto nasce a partir daqui."

Nietzsche, O Anticristo.
Sobre como se cria uma universidade revolucionária a nível mundial, como o conservadorismo tentou a todo custo conservar o status quo excludente matando-a à porrada com seus garotos de recado militares, e como ela sobreviveu e tornou-se uma das melhores universidades do país http://www.unb.br/sobre/principais_capitulos

terça-feira, 8 de setembro de 2015


"Para entender isto, você tem que voltar ao que o irmão mais novo aqui se referiu como Negro da Casa e Negro do Campo - voltemos à escravidão. Havia dois tipos de negros. Havia o Negro da Casa e o Negro do Campo. O Negro da Casa era aquele que vivia na casa de seu senhor, vestia-se muito bem, comia bem porque comia de sua mesma comida, isto é, o que ele, o senhor, deixava. Eles viviam no sótão ou no porão, mas ainda assim viviam perto de seu senhor; e eles amavam o seu senhor mais do que seu senhor os amava. Eles dariam sua vida para salvar seu senhor mais ligeiro do que seu senhor o faria. O Negro da Casa, se o senhor dissesse: "Nós temos uma casa muito boa por aqui", o Negro da Casa diria, "sim, nós temos uma boa casa aqui." Qualquer coisa no qual seu senhor dissesse "nós", ele também diria "nós". Isto é o que chamamos de Negro da Casa.
Se a casa grande pegasse fogo, o negro da casa lutaria com mais ardor para apagar as chamas do que seu senhor o faria. Se seu senhor caísse doente, o negro da casa diria, "qual é o problema, chefe, estamos doentes?" Estamos doentes! ele se identificava de tal maneira com seu senhor do que seu senhor se identifica consigo mesmo. E se vocẽ fosse para a casa do negro da casa e dissesse, "vamos fugir, vamos escapar, vamos nos separar (dos brancos)", o negro da casa te olharia e diria, "Cara, você está louco! O que significa "separar?" Qual lugar é melhor do que esta casa aqui? Onde eu poderia me vestir melhor do que aqui? Onde nós comeríamos mehor do que aqui?" Este era o negro da casa. Naqueles tempos, ele era chamado de "preto de casa." E é como nós o chamamos ainda hoje, porque ainda há muitos pretos da casa por aí.
O moderno negro da casa ama seu senhor. Ele quer viver perto dele. Ele paga três vezes mais caro por uma casa apenas para viver perto de seu senhor, e então se vangloria dizendo "sou o único negro aqui!", "sou o único negro em meu trabalho!", "sou o único negro na escola!". Vocẽ não é nada mais do que um negro da casa. E se alguém vier até você agora e dizer, "vamos nos separar," você diz a mesma coisa que um negro da casa dizia na plantação. "O que significa 'separar'? da América? do homem branco bondoso? onde você vai conseguir um emprego melhor do que os que nós temos aqui?" quer dizer, isto o que você diz. "Eu não larguei nada na África!", isto é o que você diz. Porque sim, você deixou seu cérebro na África.
Na mesma plantação, havia o Negro do Campo. O negro do campo - Estes eram a maioria. Havia sempre muito mais negros no campo do que negros na casa. O negro no campo passava o inferno. Ele comia restos. Na senzala eles comiam restos de porco. O negro do campo não possuía nada exceto as entranhas do porco. Eles chamam-lhes de "chittlins" nos dias de hoje. Nestes dias eles chamam-lhes como eles são: tripas. Isto é o que você é - um comedor de tripas. E alguns de vocês ainda são comedores de tripas.
O negro do campo era espancado de manhã até a noite. Ele vivia em uma cabana, em um barraco. Ele usava roupas velhas e gastas. Ele odiava seu senhor. Mas ele era inteligente. O negro da casa amava seu senhor. Mas aquele negro do campo, lembrem-se, eles eram a maioria, e eles odiavam seu senhor.Quando a casa grande pegava fogo, ele não tentava apagar as chamas; o negro do campo rezava para que aparecesse um vento, uma brisa. Quando o senhor ficava doente, o negro do campo rezava por sua morte. Se alguém viesse ao negro do campo e dissesse, "Vamos nos separar, vamos fugir," ele não dizia "onde nós vamos?" ele dizia, "qualquer lugar é melhor do que aqui.". Nós temos negros do campo na América hoje. Eu sou um negro do campo. As massas são negros do campo. Quando eles veem o cara da casa (casa branca) em apuros, você não ouve estes pequenos negros dizendo algo como "NOSSO GOVERNO está com problemas." Eles dizem, "O GOVERNO está com problemas." Imagine um negro: "Nosso governo"! Eu já cheguei a ouvir alguém dizer "nossos astronautas." Eles nem mesmo deixariam-no chegar perto de uma das bases de lançamento - e são "nossos astronautas!" "Nossas Forças Armadas!" - Este é um negro que está fora de seu juízo perfeito. Este negro está completamente fora de si.
Tal como os senhores de escravos daqueles tempos usavam Tomás (personagem da Cabana do Pai Tomás), isto é, o negro da casa, para manter os negros do campo pressionados, os mesmos antigos senhores de escravos de hoje possuem negros que não são nada mais do que modernos Pai Tomás, Pai Tomás do século 20, para manter você e eu pressionados, manter-nos sob controle, manter-nos passivos e pacíficos e não-violentos. Isto é o que o pai Tomás faz para te manter não-violento. É como quando vocẽ vai ao dentista, e o cara quer arrancar seu dente. Você certamente resistiria a ele quando sentisse dor. Então ele esguicha alguma coisa em seu dente chamada novocaína, para fazer você pensar que não estão fazendo nada com você. Então você se senta lá e, por causa da novocaína em seu dente, você sofre em paz. O sangue jorra de seu dente, e você não sabe o que está acontecendo. Porque alguém ensinou você a sofrer - Em paz."

Mensagem à Grassroots, Malcom X, 10 de novembro de 1963.

sexta-feira, 3 de julho de 2015


GUERNICA

"Dir-lhes-ás: juro por mim mesmo, diz o Senhor, tratar-vos-ei como vos ouvi dizer. Vossos cadáveres cairão nesse deserto. Todos vós que fostes recenseados da idade de vinte anos para cima, e que murmurastes contra mim, não entrareis na terra onde jurei estabelecer-vos, exceto Caleb, filho de Jefoné, e Josué, filho de Nun. Todavia, introduzirei nela os vossos filhinhos, dos quais dizíeis que seriam a presa do inimigo, e eles conhecerão a terra que desprezastes. Quanto a vós, os vossos cadáveres ficarão nesse deserto, onde os vossos filhos guardarão os seus rebanhos durante quarenta anos, pagando a pena de vossas infidelidades, até que vossos cadáveres apodreçam no deserto. Explorastes a terra em quarenta dias; tantos anos quantos foram esses dias pagareis a pena de vossas iniqüidades, ou seja, durante quarenta anos, e vereis o que significa ser objeto de minha vingança. Eu, o Senhor, o disse. Eis como hei de tratar essa assembléia rebelde que se revoltou contra mim. Eles serão consumidos e mortos nesse deserto!”

Êxodo 14, 28 - 35.

Década de 80. A chamada década perdida. E o nome é elogioso: Nessa década, o Brasil não se perdeu. Foi DESTRUÍDO. Teve o pescoço partido tal como Seyia na guerra galáctica. Quebrou-se em mil pedaços, como uma bola de cristal jogada ao chão. Foi arrasado, devastado, como um país que se rendeu ao final de uma longa guerra sangrenta, algo somente comparável ao que os alemães chamam de Stunde Null (zero hora em alemão), nome dado à meia-noite do dia 08 de maio de 1945, o dia em que a capitulação das forças nazistas entrou em vigor. Um país em ruínas. (Conferir: http://www.valor.com.br/…/278…/mae-de-todas-crises-do-brasil).
Mas as consequências econômicas, embora importantes e sempre lembradas em primeiro lugar quando recorda-se esse tempo, nada são perante as consequências sociais dessa matança. Refiro-me à geração de crianças e jovens nascidas nessa época, vítimas traumatizadas das maiores taxas de desnutrição infantil do mundo, da maior desigualdade social do planeta, de uma das formas mais violentas de racismo do globo, vítimas de altíssimas taxas de trabalho escravo infantil desde o nascimento, obrigadas a beberem lama de poças d'água compartilhados com cães sarnentos e ratazanas do tamanho de gatos, vindos diretamente de bueiros da casa dos playboys, e a brincarem de futebol em lixões, entre montes de lixo hospitalar e produtos radioativos como césio 137, a aspirar desde bebês o ar carregado de poeira vermelha das vielas que um dia seriam conhecidas como ruas, obrigadas a terem como almoço e janta, além da farinha cozinhada pela mãe, a refeição da escola, mas apenas quando os políticos não haviam-nas furtado para comprar um carro zero KM como presente de aniversário de 18 anos do futuro genocida hoje no congresso nacional e na FIESP, isto é, quase nunca. Esta geração, a geração a qual ninguém precisa lhes dizer o que é o inferno porque já o viram com seus próprios olhos, esta geração é a minha geração, a que hoje vai lá pelos 30 e tal anos, solteiros, casados ou separados a algum tempo e com filhos ainda muito pequenos. É esta geração que está atualmente no comando dos destinos do país, não na política, claro, mas trabalhando, pagando seus impostos, apresentando programas de TV, dando aulas em escolas públicas e privadas, cantando em shows e casas noturnas, compondo músicas, fazendo trabalhos voluntários, escrevendo livros, artigos de jornal, fazendo pães quentes toda manhã na padaria, atendendo os clientes no bordel, indo atrás de bandidos em viaturas toda noite nas ruas, colocando capuzes e o ferro na cinta para roubar e sequestrar na madrugada com os parças, pedindo esmolas nas ruas, esperando o ônibus 4 da manhã na paragem, durmindo nos engarrafamentos dentro deles na volta para casa. As coisas aparentemente parecem normais e rotineiras, como sempre foram. Mas não são.
Não conseguimos ver agora, mas aquelas marcas deixadas pela década perdida foram profundas, muito mais do que conseguimos imaginar. Somos todos uma geração TRAUMATIZADA pela fome, pela peste e pela guerra, as três pragas simbólicas do apocalipse, somos diferentes de todas as outras. Somos todos uma geração narcisista, egoísta, personalista. Uma geração profundamente abalada pelas pancadas violentíssimas da vida, por isso pessimista e fatalista. Uma geração que cresceu vendo os maus-exemplos triunfarem sobre os bons. Aliás, é melhor dizer: uma geração que cresceu sem ver exemplo algum, nem de bom nem de mal. Apenas o Nada. Uma geração que cedo descobriu que estudar de nada vale, pois por mais que se estude e se esforce, jamais subirá na vida se você não tiver uma "peixada", bons contactos e um padrinho poderoso a dar-lhe apoio. Uma geração que, por isso, aprendeu a desprezar o estudo como algo de alérgico, de ruim, de bastardo, de inútil e, como brinde, também aprendeu a desprezar o senso crítico, por culpa própria, mas muito mais por culpa de um plano milimetricamente calculado e executado pela proibição da filosofia e sociologia na educação, para que em seu lugar entrasse a Educação Moral e Cívica, trunfo mais poderoso que a doente ditadura militar, na época apenas pressentindo seu fim, conseguiu preservar incólume até bastante recentemente, mesmo depois de já estarmos numa democracia há anos. Uma geração contraditória em tudo. Uma geração Coca-Cola. Em suma, uma geração profundamente DESILUDIDA ("Meus herois morreram de overdose, meus inimigos estão no poder", Cazuza). Os destroços dos "sonhos, que foram todos vendidos, tão barato que eu nem acredito". Uma geração AMALDIÇOADA.
Mas AMALDIÇOADA por quem? por qual motivo? quem seria tal tirano cruel e desumano, a condenar uma geração inteira a APODRECER NO DESERTO? seria esta MALDIÇÃO justa para seres inocentes que apenas tiveram o azar de nascer na hora errada, na HORA DA ESTRELA (Clarice Lispector)? Não há respostas. Apenas o eco de nossas próprias vozes, nos rochedos, ao longe [....].
Estamos condenados a morrer, a morrer "neste vasto e terrível deserto, cheio de serpentes ardentes e escorpiões, terra árida e sem água" (Deuteronômio 8, 15). Todos nós. Ninguém escapará. "Todavia, introduzirei nela os vossos filhinhos, dos quais dizíeis que seriam a presa do inimigo, e eles conhecerão a terra que desprezastes. " Sim, serão nossos filhinhos pequenos de hoje que verão a Terra Prometida, a terra onde mana leite e mel. Não nós. Serão eles, seus netos e tataranetos que, um dia, verão um país muito melhor, mais justo e mais humano. Um país em que um homossexual não mais será assassinado a sangue frio com uma barra de ferro por andar de mãos dadas com o namorado pela madrugada. Um país onde os assassinos não serão carregados em triunfo pelas ruas ao serem absolvidos por inexistir a Lei contra a Homofobia. Um país em que você não será assassinada pelo outrora grande amor de sua vida com um faca, que ele a usará para desossá-la e jogar seus restos mortais na represa. Um país onde as filhas desta mulher não crescerão ouvindo que "mulher que apanha do marido é vagabunda, é porque gosta de apanhar". Um país em que você não será torturado e esquartejado ao voltar do serviço de pedreiro porque a polícia achou que vocẽ era bandido por causa da sua cor. Um país onde a mídia não terá programas em horário nobre louvando a ação dos racistas com o jingle "bandido bom é bandido morto." Mas, para que isso aconteça, é preciso antes pavimentar o caminho para que eles encontrem tudo encaminhado na medida do possível quando passarmos o bastão. É preciso manter a chama que Prometeu deu-nos, o objeto sagrado furtado aos deuses, todos nós a quem nos foi dado ver de longe a Terra Prometida, como Moisés, a nós cremos nos direitos humanos. É preciso terminar nossa missão como Aioros terminou, depois de enfrentar aqueles que pretendiam matar a Deusa da Sabedoria, da Coragem, da Justiça e da Inspiração:
- As forças do Mal estão no santuário, e juraram matar este ser inocente, proteja-o!
- Arrisquei minha vida ao trazer o bebê até aqui [...], muitos dos cavaleiros, fascinados pelo poder do Mal, se puseram à disposição do novo Mestre [...] eu não poderei ir mais longe [...], por favor, cuide dessa menina até ela crescer [....], esta menina é a reencarnação da deusa Athena que Deus envia sempre que o Mal domina o mundo [...] mais cedo ou mais tarde, cavaleiros muito corajosos vão lutar ao lado da deusa Athena para garantir a segurança dela [...] eles lutarão até a morte para salvar o planeta dos horrores que o ameaçam [...] deverão esforçar-se sem descanso para que sejam dignos do nome de Cavaleiros do Zodíaco, e mereçam um dia vestir a armadura de ouro....
Quanto a nós, aqueles que possuem consciência da terrível dor que trazemos no peito, só nos resta fazer como Moisés:
"Subiu Moisés das planícies de Moab ao monte Nebo, ao cimo do Fasga, defronte de Jericó. O Senhor mostrou-lhe toda a terra, desde Galaad até Dã, todo o Neftali, a terra de Efraim e de Manassés, todo o território de Judá até o mar ocidental, o Negeb, a planície do Jordão, o vale de Jericó, a cidade das palmeiras, até Segor. O Senhor disse-lhe: Eis a terra que jurei a Abraão, a Isaac e a Jacó dar à sua posteridade. Viste-a com os teus olhos, mas não entrarás nela. E Moisés, o servo do Senhor, morreu ali na terra de Moab, como o Senhor decidira. E ele o enterrou no vale da terra de Moab, defronte de Bet-Fogor, e ninguém jamais soube o lugar do seu sepulcro. Moisés tinha cento e vinte anos no momento de sua morte: sua vista não se tinha enfraquecido, e o seu vigor não se tinha abalado." (Deuteronômio 34, 1 - 7). "Cobriram-lhe as trevas os olhos" (Ilíada).

Eduardo Viveiros, Filósofo.

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